terça-feira, 15 de março de 2011

Rir é o melhor remédio, segundo a terapia do riso - via:RevistaPiauí

Paula Duarte, uma jovem magra, baixa, com cabelos curtos, rebeldes e músculos torneados pela ioga, andava com passo apertado devido ao atraso de quase uma hora. Era uma tarde de quinta-feira e ela se demorara no almoço. Funcionária do Instituto Trevo, ela acompanha as visitas dos agentes de saúde às escolas do Rio de Janeiro para fazer a prevenção da dengue. Naquele dia, percorria os colégios da Gávea. Quando finalmente chegou ao endereço procurado, a escola Ciranda Cirandinha, o porteiro informou que as diretoras tinham acabado de sair para o almoço. Ela estranhou e verificou sua agenda. Constatou que havia se enganado de escola: teria que refazer o caminho que acabara de percorrer e chegaria ainda mais atrasada. Paula Duarte caiu na gargalhada. O porteiro deu um sorriso amarelo e fechou a porta.

“Hoje, se alguma coisa dá errado, avião cancelado, trânsito insuportável, eu dou risada. Antigamente, teria me descabelado com o atraso”, disse. Aos 20 anos, Paula era seríssima. Trabalhava com merchandising na Rede Globo, tinha carro, noivo, amidalite, cistite, gastrite e sofria de ansiedade. Para desespero da mãe, decidiu mudar de vida e virar professora de ioga. Deu-se bem na nova profissão e chegou a dar cinco aulas por dia. Mas acabou deprimida com a austeridade da ioga. “A vida era só ‘inspira, expira’, e eu não aguentava mais olhar para o meu tapetinho.”

Deu então uma segunda guinada na vida. Vendeu o carro, foi para a Europa e se matriculou na Escuela Salud Inteligente, em Barcelona, onde se formou terapeuta do riso. Segundo Paula, nove minutos ininterruptos de gargalhada diários aliviam todos os sintomas do estresse.

Desde que foi criada, em 1995, em Mumbai, pelo guru indiano Madan Kataria, a terapia do riso se alastrou pelos cinco continentes e estima-se que 250 mil pessoas a pratiquem em 66 países. Como os números são impossíveis de serem conferidos, o guru sugere que se ria deles. Kataria chegou à conclusão de que não se pode esperar pelos momentos engraçados na vida para rir, e a risada deve ser forçada até que se torne verdadeira. O corpo não sabe diferenciar a risada falsa da verdadeira. Uma vez aprendida a técnica, uma pessoa pode ter crises de riso até em funerais.

a terapia é vendida como uma panaceia. Relatos ao redor do mundo garantem que ela beneficia pacientes com asma, esclerose múltipla, Alzheimer, Parkinson e aumenta as chances de sobrevivência de pacientes com câncer. Dizem ainda que cura mazelas da contemporaneidade como depressão, ansiedade, angústia, transtornos gerais, famílias desestruturadas e limitações físicas ou mentais. O riso também é tiro e queda para pessoas tímidas, ou que tiveram uma educação rígida e se sentem travadas. Os defensores da terapia alegam que o riso produz endorfina e estimula o sistema imunológico. A risoterapia tornaria a vida mais fácil, humana e divertida. Rá! Rá! Rá!

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